terça-feira, 17 de novembro de 2009

O Albatroz



 L'Albatros

Souvent, pour s'amuser, les hommes d'équipage
Prennent des albatros, vastes oiseaux des mers,
Qui suivent, indolents compagnons de voyage,
Le navire glissant sur les gouffres amers.

À peine les ont-ils déposés sur les planches,
Que ces rois de l'azur, maladroits et honteux,
Laissent piteusement leurs grandes ailes blanches
Comme des avirons traîner à côté d'eux.

Ce voyageur ailé, comme il est gauche et veule!
Lui, naguère si beau, qu'il est comique et laid!
L'un agace son bec avec un brûle-gueule,
L'autre mime, en boitant, l'infirme qui volait!

Le Poète est semblable au prince des nuées
Qui hante la tempête et se rit de l'archer;
Exilé sur le sol au milieu des huées,
Ses ailes de géant l'empêchent de marcher.

Charles Baudelaire, Les fleurs du mal


The Albatross

Often, to amuse themselves, the men of the crew
Catch those great birds of the seas, the albatrosses,
lazy companions of the voyage, who follow
The ship that slips through bitter gulfs.

Hardly have they put them on the deck,
Than these kings of the skies, awkward and ashamed,
Piteously let their great white wings
Draggle like oars beside them.

This winged traveler, how weak he becomes and slack!
He who of late was so beautiful, how comical and ugly!
Someone teases his beak with a branding iron,
Another mimics, limping, the crippled flyer!

The Poet is like the prince of the clouds,
Haunting the tempest and laughing at the archer;
Exiled on earth amongst the shouting people,
His giant's wings hinder him from walking.

— Geoffrey Wagner, Selected Poems of Charles Baudelaire (NY: Grove Press, 1974)

O Albatroz

Muitas vezes, por desfastio, a marujada
Apanha os albatrozes, vastas aves dos mares,
Que seguem, indolentes companheiros de viagem,
O navio que desliza por redemoinhos e abismos.

E eis que chegando às tábuas do convés
Esses reis do azul, canhestros e envergonhados
Deixam pateticamente as majestosas asas brancas
Arrastarem-se ao seu lado como inúteis remos.

O peregrino alado, como ele é desajeitado
Antes tão belo, agora só ridículo,
Um deles enfia um cachimbo em seu bico
Outro imita mancando o inválido que voava.

O Poeta é como o príncipe das nuvens,
Que mora nas tempestades e se ri do archeiro
Quando ele desce ao solo no meio do vulgo
São suas asas de gigante que o impedem de andar.

Tradução minha

ver também: http://tomclarkblog.blogspot.com/2009/08/baudelaire-albatross.html

Quem é Mauro?

Assino aqui com o nome de Mauro, que em grego significa negro. Nome que tem uma conotação quase sempre negativa, como insistiu Nietzsche. Serve para todos os outcaste e indesejados.
O que o mundo ganharia em saber quem fui eu quanto a casta e ofício? Como escreveu Kipling: Quem é Kim? E a quem interessa saber quem é Kim? Talvez nem ao próprio.
Kim é branco com pele de negro, eu sou negro com pele de branco. Negro não como 'preto', mas como anti-branco. Falo língua de branco, visto como branco mas não penso como branco. Algures além das cores esse espírito vagueia, au-dessus de la mêlée...
Não sabendo quem sou, sei que algum dia serei verdadeiramente louco, tal como Nietzsche cantou: "só louco, só poeta", Nur Narr! Nur Dichter! E sempre mais perto da Poesia e da Iluminação.

São sempre bons os começos

Nasceram hoje os meus postgraduate diaries: diários quanto ao tema, e não quanto à assiduidade. Irei recontando coisas que vivi e recuperando aqui pensamentos já consignados em carteio com amigos e outros correspondentes. Agradeço os vossos comentários. Parabéns ao recém-nascido, muitos anos de vida!